4. Principais correntes teóricas
O Positivismo está na origem da formação da Sociologia como campo de conhecimento definido, porém a
Sociologia não é uma ciência de apenas uma orientação teórico-metodológica dominante. Ela percorre diferentes
caminhos para a explicação da realidade social.
As correntes teóricas consideradas mais relevantes são:
Funcionalismo
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Corrente teórica das ciências sociais que compara a sociedade a um organismo vivo cujas partes
constituem sistemas com funções específicas. Como os diversos órgãos de uma corpo complexo são
diferentes entre si, também as partes de uma unidades social complexa e evoluída tende a diferenciar-se;
a religião em relação à política, o trabalho em relação à vida familiar, e assim por diante. Cada
elemento contribui para a funcionalidade harmônica e para manutenção do corpo social. O resultado final,
tanto para os organismos como para a sociedade é um todo constituído de partes interdependentes.
Um ponto fundamental do funcionalismo é a existência de um estado de equilíbrio na sociedade, que
se obtém quando cada parte exerce corretamente sua função. Quando ocorre uma mudança em uma das partes,
gera-se um desequilíbrio que é compensado por um processo de adaptação ou de reorganização das outras
partes. Como é evidente, a teoria funcionalista foi influenciada pelos estudos das ciências biológicas
em desenvolvimento no século XIX. O Funcionalismo é tradicionalmente associado a Émile Durkheim e, mais
recentemente, a Talcott Parsons, enquadrado no Funcionalismo Estrutural.
Estruturalismo
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Corrente teórica que, tendo nascido originariamente no âmbito da Lingüística, se estendeu depois à análise
da sociedade, sustentando que a realidade é um sistema de relações cujos termos constituintes não existem
por si mesmos, mas apenas em interconexão. Contra o humanismo, os teóricos dessa corrente afirmam a
superioridade da estrutura sobre o homem, argumentando que o indivíduo não é livre em suas escolhas e
ações, mas sim o resultado de estruturas que agem sobretudo em nível inconsciente. Contra o empirismo e o
objetivismo, sustentam que fazer ciência significa ir além do empírico e do “vivido”, para assumir um ponto
de vista absolutamente objetivo, recusando os “dados imediatos da consciência” como via de acesso à verdade.
Para os estruturalistas, o mais importante não é a mudança ou a transformação de uma realidade mas a
estrutura ou a forma que ela tem no presente. Na análise da sociedade, os estruturalistas partem da
investigação de um fenômeno concreto e, em seguida, constroem um modelo abstrato que reflete o objeto de
estudo. Construído o modelo, voltam ao nível concreto, dispondo então de um instrumento de análise da
realidade de diversos fenômenos. O que se analisa, portanto, não são os elementos em si, mas suas relações
porque é delas que resulta a significação. Entre as figuras associadas a essa corrente teórica figura Weber,
enquadrado no chamado Estruturalismo Fenomenológico, pois parte do princípio de que as estruturas
proporcionam pontos de apoio para as análises teóricas, mas nunca podem ser encaradas como reproduções
fiéis da realidade, porque esta está em constante mutação e em permanente intercâmbio com o ambiente.
Interacionismo Simbólico
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Corrente do pensamento sociológico estreitamente relacionada com a Antropologia e com a Psicologia Social.
Funda a compreensão da sociedade na comunicação e ocupa-se principalmente da interação social que ocorre na
vida quotidiana. Segundo os teóricos dessa corrente, as pessoas atuam sobre os objetos de seu mundo e
interagem com outras pessoas a partir dos significados que os objetos e as pessoas têm para elas, ou seja,
a partir de símbolos. Os significados são produto da interação social, principalmente da comunicação, que
se converte, assim, em elemento essencial, tanto na constituição dos indivíduos como na produção social de
sentido. As pessoas selecionam, organizam, reproduzem e transformam os significados em processos
interpretativos em função de suas expectativas e propósitos. Portanto, o Interacionismo Simbólico concebe
a sociedade como resultado das interações simbólicas dos indivíduos e a comunicação como processo social
através do qual se constituem simultaneamente os grupos e os indivíduos. O Interacionismo Simbólico é
geralmente associado a Herbert Mead.
Herbert Mead (1863 – 1931)
Filósofo, sociólogo e psicólogo americano, foi um dos fundadores da Psicologia Social.
Teorias do Conflito
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Denominação que se dá genericamente a uma série de investigações sobre o conflito social, desenvolvidos a
partir da década de 1950, que têm em comum a concepção de que a imagem funcionalista de um consenso geral
sobre valores é uma ficção: o que ocorre na realidade é que quem tem o poder constringe o resto da população
à aceitação e à conformidade. Os teóricos dessa corrente não encaram o conflito como uma “patologia social”
mas sim como algo “funcional”, ou seja, como uma relação social com funções positivas para a sociedade,
desde que se possam manter sobre controle suas potencialidades destrutivas e desintegradoras. O conflito é,
nessa concepção, um mecanismo de inovação e transformação social e o grupo social é concebido como um
equilíbrio de forças e não mais como uma relação harmônica entre órgãos. A análise do conflito nasceu com
Marx que considerava a luta de classes como o motor da história e principal fonte de mudança, mas a teoria
do conflito moderna não concentra sua atenção nessa luta, considerando de forma mais ampla o conflito que
encontramos na vida de todas as sociedades entre grupos e interesses: produtores contra consumidores,
habitantes do centro contra habitantes de periferia, velhos contra jovens, etc.